Crédito de ICMS em Nota Fiscal Inidônea: Entenda os Direitos do Comerciante de Boa-Fé



No Brasil, a segurança jurídica é muito dificil de alcançar no empreendedorismo. Por isso, é sempre importante ter procedimentos internos e tomar todos os cuidados possíveis.

Foi com esse propósito que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou um entendimento de extrema relevância por meio da Súmula 509. 

Essa decisão definiu que o comerciante de boa-fé tem o direito de aproveitar os créditos de ICMS originados de notas fiscais que, posteriormente, foram declaradas inidôneas. Desde que comprovada a veracidade da operação de compra e venda.


O Que é uma Nota Fiscal Inidônea?

Antes de falar mais sobre a Súmula 509, é importante entender o conceito de nota fiscal inidônea. Esse termo refere-se a documentos fiscais emitidos de maneira irregular, em desacordo com as normas legais. Essa irregularidade pode surgir de diversas formas, como:


  • Falsidade Material: Informações inexatas ou fraudulentas sobre a operação.
  • Empresas "Noteiras": Emitentes fictícios que simulam operações comerciais inexistentes.
  • Desconformidade Legal: Falhas no cumprimento das exigências tributárias.


Quando o fisco detecta essas irregularidades, a nota fiscal pode ser declarada como inidônea, gerando dúvidas sobre a legitimidade dos créditos de ICMS que foram aproveitados pelo comprador, como se fosse uma forma de sonegar e retirar dinheiro do Estado.


O Direito do Comerciante de Boa-Fé

A Súmula 509 surge para proteger os direitos dos comerciantes que agem com boa-fé em suas operações. 

Esses empresários frequentemente enfrentam desafios legais quando notas fiscais são invalidadas por irregularidades atribuídas aos fornecedores. 

O STJ consolidou o entendimento de que é lícito, para as empresas que estão regulares, manter os créditos de ICMS, desde que prove que a operação de compra e venda foi real.


Os Critérios para Garantir Esse Direito

Para assegurar que o comerciante tenha seu crédito mantido, é fundamental atender a três requisitos principais:


  • Veracidade da Operação: Demonstração clara de que a compra e venda realmente ocorreu. Isso inclui comprovantes de pagamento, notas de transporte e registros de entrada da mercadoria.
  • Inexistência de Conluio: Prova de que o comerciante não participou nem foi conivente com qualquer irregularidade do fornecedor.
  • Regularidade Contábil: Documentação fiscal e contábil escriturada de acordo com as exigências legais.


Esses critérios são a base para proteger o comerciante contra penalidades injustas decorrentes de fraudes por terceiros.


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Como Agir em Caso de Autuação Fiscal de ICMS?

Mesmo para comerciantes de boa-fé, situações envolvendo notas fiscais inidôneas podem resultar em autuações fiscais. Quando isso ocorre, é essencial adotar medidas estratégicas para defender os direitos assegurados pela Súmula 509:


1. Reúna Documentos Comprobatórios

Os registros que comprovam a efetividade da operação comercial são fundamentais:

  • Comprovantes de pagamento ao fornecedor.
  • Notas fiscais originais emitidas.
  • Registros de entrada da mercadoria no estoque.
  • Documentação de transporte ou entrega.


Esses documentos são indispensáveis para demonstrar ao fisco que a operação ocorreu de forma legítima.



2. Consulte Especialistas em Direito Tributário

Diante de uma autuação fiscal, contar com a assistência de um advogado especializado em direito tributário é essencial. O profissional pode elaborar uma defesa administrativa robusta, com base na aplicação da Súmula 509.

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3. Utilize Precedentes Jurídicos

A decisão do STJ reforça os direitos do comerciante de boa-fé. Utilize esse entendimento como base legal na defesa do caso, garantindo que os parâmetros da Súmula sejam aplicados.


4. Agir Preventivamente

Para evitar problemas futuros, mantenha a documentação fiscal sempre regular e atualizada. Realize auditorias periódicas nos processos de compra e venda, escolha fornecedores confiáveis e consulte um profissional especializado.


5. Se prepare para a Reforma Tributária

A partir de 2026, todo o sistema tributário vai ser modificado e as empresas necessitaram revisar a precificação dos seus produtos, bem como, planejar onde vai continuar operando. Se você quer entender e conversar com um profissional sobre a Reforma Tributária, clique aqui.


Exemplos de Casos Relevantes

O impacto da Súmula 509 já pode ser observado em diversos casos emblemáticos julgados pelo STJ. A seguir, apresentamos exemplos que ilustram como o entendimento protege os comerciantes de boa-fé:


Caso 1: Veracidade da Operação

Em um caso recente, uma empresa foi autuada por aproveitar créditos de ICMS originados de notas fiscais consideradas inidôneas. No entanto, a empresa apresentou comprovantes detalhados de pagamento e transporte da mercadoria, além de registros de entrada e saída. O STJ decidiu que, devido à comprovação da veracidade da operação, os créditos deveriam ser mantidos.


Caso 2: Irregularidade Exclusiva do Fornecedor

Outro caso envolveu uma indústria que adquiriu matérias-primas de um fornecedor posteriormente identificado como "noteiro". A indústria apresentou evidências claras de que não participou de nenhum conluio. O STJ determinou que o aproveitamento dos créditos era legítimo, pois a irregularidade era exclusiva do fornecedor.


Por Que a Súmula 509 é Tão Importante?

A proteção ao comerciante de boa-fé é um elemento crucial para garantir a segurança jurídica e a transparência nas relações comerciais. 

Sem essa proteção, os contribuintes seriam constantemente penalizados por irregularidades que não cometeram. A Súmula 509 estabelece um precedente que equilibra a relação entre o fisco e os comerciantes, incentivando práticas legítimas e responsáveis.


Conclusão

A Súmula 509 do STJ é muito importante para as empresas brasileiras, promovendo um ambiente de maior segurança jurídica e transparência nas operações comerciais. 


Se você atua no comércio ou na indústria, mantenha sua documentação fiscal sempre em conformidade. 


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